Símbolos do Advento e do Natal: Um Caminho de Espera, Conversão e Esperança

Símbolos do Advento e do Natal: Um Caminho de Espera, Conversão e Esperança

Conheça o significado dos principais símbolos do Advento e do Natal e aprenda a vivê-los como um caminho de espera, conversão e esperança em Cristo.

Por Casa de Maria

Advento, um tempo Santo Cheio de Símbolos.

O Tempo do Advento é um dos períodos mais ricos da liturgia da Igreja. Ele nos convida a esperar com fé, vigiar com esperança e preparar o coração para acolher o Senhor que vem.

A Igreja, guiada pelo Espírito Santo, usa símbolos profundos para nos educar espiritualmente — símbolos que unem a Sagrada Escritura, a Tradição dos Padres da Igreja e o Magistério.

Neste artigo, reunimos os principais símbolos litúrgicos do Advento e do Natal, com explicações simples e enraizadas na fé católica, para que você possa rezar, meditar e viver verdadeiramente esse tempo santo.

1. A Cor Roxa: Vigilância, Penitência e Esperança

A cor roxa aparece nos paramentos, nas toalhas do altar e em toda a ambientação litúrgica do Advento.

Segundo a Instrução Geral do Missal Romano, o roxo expressa:

  • Penitência;
  • Recolhimento;
  • Esperança.

Os Padres da Igreja recordam que o cristão vive entre:

  • A memória da vinda histórica de Cristo;
  • A expectativa da sua vinda gloriosa.

O roxo envolve esse mistério: somos um povo que espera o Senhor.

2. A Cor Rosa: A Alegria que Rompe a Noite

No 3º Domingo do Advento, chamado Domingo Gaudete (“Alegrai-vos”), a Igreja usa a cor rosa, como ensina o Missal Romano, e também nos ensina que a cor rosa expressa:

  • A alegria que desponta no meio da preparação
  • A luz que começa a brilhar no caminho penitencial

Santo Agostinho comenta que “a alegria cristã é antecipação da eternidade”. Por isso, no coração da preparação penitencial, a luz aparece: o Senhor está próximo.

3. A Coroa do Advento: Um Evangelho Feito Símbolo

Embora não seja um símbolo litúrgico “oficial”, a Igreja acolhe a coroa do Advento pela sua força catequética. Cada elemento da coroa carrega um sentido cristão:

  • Ramos verdes: vida eterna, fidelidade de Deus
  • Forma circular: o amor que não tem fim
  • Quatro velas: os quatro domingos do Advento
    • Vela roxa: penitência e esperança
    • Vela verde: vida nova e confiança em Deus
    • Vela rosa: alegria do Gaudete
    • Vela branca: a paz e a luz de Cristo

A coroa nos ensina que a Luz vence a escuridão — um símbolo perfeito para o Advento, tempo em que as leituras bíblicas anunciam o Messias como a grande Luz (cf. Is 9,1).

4. A Liturgia da Palavra: Profecias, Conversão e Promessas

O Advento é, sobretudo, um tempo da Palavra. Na liturgia, a Igreja propõe:

  • Profecias de Isaías;
  • Textos sobre João Batista, a voz que clama no deserto;
  • Passagens sobre a dupla vinda de Cristo.

O Papa Bento XVI recorda que, no Advento, “a liturgia nos faz percorrer de novo as grandes etapas da história da salvação”.

Cada missa nos introduz nesse mistério:

  • Cristo que já veio;
  • Cristo que vem agora;
  • Cristo que virá com glória.

5. O Presépio: O Evangelho Visível

São Francisco de Assis difundiu o presépio para que o povo compreendesse com doçura o mistério da Encarnação.

O presépio representa:

  • A humildade do Deus que se fez pequeno;
  • A pobreza que manifesta o amor;
  • A proximidade de Deus com seus filhos.

O presépio é montado no Advento, mas o Menino Jesus só é colocado na noite de Natal — para simbolizar a espera real da Igreja.

6. Figuras e Símbolos das Profecias: A Linguagem do Antigo Testamento

A Igreja retoma imagens proféticas que anunciam o Messias:

  • A luz que resplandece (Is 9);
  • O deserto que floresce (Is 35);
  • A raiz de Jessé que brota (Is 11);
  • O cordeiro manso — imagem do Messias.

Essas figuras formam a catequese profética do Advento e nos ajudam a compreender que Jesus é o cumprimento de todas as promessas.

7. A Árvore de Jessé: A História da Salvação Reunida

A Árvore de Jessé é uma tradição catequética que recorda as gerações do povo de Israel até Cristo. Ela mostra que Jesus nasce de uma linhagem Real e Profética. Jessé é o pai do rei Davi, e a partir dessa raiz brota o Messias.

Catequistas e famílias utilizam símbolos como: Adão; Noé; Abraão; Moisés; Davi; Profetas; e Maria.

Cada figura recorda que Deus conduziu a história até o nascimento de Jesus.

8. A Dupla Vinda de Cristo: Chave do Advento

O Catecismo da Igreja Católica (CIC 524) ensina que o Advento recorda duas vindas:

  • A primeira vinda, quando Deus se fez homem em Belém;
  • A segunda vinda, quando Cristo retornará como Rei e Juiz.

Por isso, o Advento une:

  • Alegria e sobriedade
  • Esperança e vigilância

O Senhor que nasceu é o mesmo que virá para restaurar todas as coisas.

9. A Estrela: Sinal da Luz que Guia

A estrela representa, antes de tudo, a estrela de Belém que conduziu os Magos ao Salvador (cf. Mt 2). Os Padres da Igreja viam nela o símbolo da graça Divina que guia a alma

Colocamos estrelas nas decorações para recordar que, assim como os Magos seguiram a estrela, nós seguimos a luz da fé.

10. A Árvore de Natal: Um Símbolo Profundamente Cristão

Apesar de muitos pensarem que é algo apenas secular, a árvore de Natal tem raízes cristãs muito antigas.

Origem Cristã

Segundo a tradição, São Bonifácio evangelizou tribos germânicas e derrubou um carvalho dedicado a ídolos. No lugar, nasceu um pinheiro, que o santo consagrou a Cristo. Desde então, a árvore simboliza:

  • A vida eterna (pois permanece verde);
  • Cristo como o renovo que brota (cf. Is 11,1);
  • A vitória da luz sobre as trevas.

Significado de Cada Elemento:

  • Formato triangular: recorda a Santíssima Trindade
  • Luzinhas (pisca-pisca): herdeiras das velas que cristãos colocavam no pinheiro, representam Cristo, a Luz do Mundo (cf. Jo 8,12)
  • Bolas e enfeites: simbolizam os frutos da vida nova e os dons do Espírito Santo
  • Estrela no topo: é a estrela de Belém — Cristo é o nosso guia

A árvore de Natal, quando compreendida em sua raiz cristã, torna-se uma catequese doméstica poderosa.

11. São Nicolau: A Verdadeira História por Trás do “Papai Noel”

Antes de ser um personagem comercial, “Papai Noel” foi um santo católico: São Nicolau de Mira, bispo do século IV. Ele era:

  • Defensor dos pobres;
  • Protetor das crianças;
  • Homem de caridade escondida.

A História das Meias

São Nicolau, como um Padre que viveu perfeitamente a caridade discreta, deixava moedas dentro das meias de famílias pobres — tradição que originou as meias de Natal e, depois, a figura do “bom velhinho”.

O Sentido Católico do “Papai Noel”

Para nós, católicos, a figura popular só tem valor quando remete ao santo real, modelo de generosidade e amor. O verdadeiro significado é:

  • Caridade;
  • Generosidade;
  • Cuidado pelos pobres;
  • Amor que nasce da fé em Cristo.

Quando recuperamos esse sentido, a tradição volta a ser coerente com o Evangelho.

Conclusão: Símbolos que Formam o Coração

Cada símbolo do Advento e do Natal existe para nos conduzir a Cristo. Nada é meramente decorativo: tudo aponta para a Luz que vem ao mundo.

Viver esses símbolos com compreensão:

  • Transforma o lar e o coração
  • Faz do Natal um encontro verdadeiro com o Deus que se fez criança para nos salvar

Reflexão Final: Que Cada Símbolo se Torne Caminho para Cristo

Os símbolos do Advento não existem apenas para enfeitar nossas casas ou igrejas. Eles existem para enfeitar a nossa alma. Cada cor, cada luz, cada figura e cada gesto aponta para um único centro: Jesus Cristo, que vem ao nosso encontro.

Diante disso, o Advento se torna um convite gentil e profundo: Que a coroa, a vela acesa, o presépio, a árvore, os profetas e a estrela nos façam perguntar:

  • Onde preciso permitir que Cristo nasça de novo?
  • O que em mim precisa florescer?
  • Que luz precisa ser acesa?
  • Quem precisa da minha caridade?
  • O que ainda estou segurando e preciso entregar a Deus?

O Advento só faz sentido quando nos leva ao encontro pessoal com o Salvador.

Que cada casa, cada família e cada coração se tornem hoje uma pequena Belém: um lugar onde Jesus é esperado, acolhido e amado.

Que este seja o nosso verdadeiro Natal:
Cristo nascendo em nós — e nós renascendo n’Ele.